Protesto e Comemoração marcam os dez anos de intervenção na Casa de Saúde Anchieta.
| O dia três de maio, segunda-feira, foi
palco de demonstrações do alcance da luta antimanicomial e da disposição das forças
de esquerda para resistir ao desmonte do que foi construído em Santos durante as duas
administrações democráticas e populares (1989-1996). A Radio Tam-Tam, cuja estrutura
foi desmontada há dois anos, voltou aos alto-falantes durante as atividades da tarde, na
Praca Maua, defronte o Paco Municipal de Santos, onde também houve uma exposição de
fotografias e reportagens da ápoca da intervenção na Casa de Saúde Anchieta.
Destaque também para os emocionados depoimentos de usuários de serviços e seus familiares, lembrando os horrores vividos no então hospital e a recuperação com a criação do sistema de saúde na cidade. Foram marcantes os protestos contra a desestruturação dos serviços ora em curso e a fachada de um processo judicial que, apontando supostas irregularidades nas contratações de profissionais, das condições para a a inversão de modelo pretendida, mas escamoteada, pela atual administração. Inúmeras mensagens de apoio foram recebidas, entre elas as dos italianos Franco Rotlli (Diretor Geral da Azienda per i Servizi Sanitari) e Franca Basaglia e de Ana Maria Pitta, coordenadora de saúde mental do Ministério da Saúde brasileiro.
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A noite foi marcada por atividades na Universidade Católica de Santos, iniciadas com a apresentação de um trecho da peça "No Diva do Dr. Sigmund", seguindo-se o artista santista Julinho Bitencourt. Cerca de 700 pessoas lotaram o auditório para participar da mesa redonda que, sob a coordenação do vereador Fausto Figueira, presidente do PT de Santos, contou com importantes participações, como Luís Inácio Lula da Silva, os deputados federais Telma de Souza, prefeita de Santos a época da intervenção, e Paulo Delgado, autor do projeto de lei que prevê a extinção dos manicômios no pais, deputados estaduais, vereadores, o ex-prefeito David Capistrano, secretário municipal de higiene e saúde a época da intervenção e outras importantes personagens do processo que marcou uma nova era no cuidado com portadores de sofrimento psíquico no país.
O ato pode significar uma nova fase na oposição ao governo municipal, com a reunificação da esquerda santista ao lado da indignação dos funcionários e da população como um todo com o abandono da cidade e as suspeitas que pesam sobre o executivo municipal. "Para nós, a liberdade continua sendo terapêutica e a vida, uma irredutível insistência de luta e beleza" Movimento de Saúde e Cidadania de Santos De 17 a 22 de maio: atividades de comemoração de 10 anos de produção antimanicomial na cidade de São Paulo - informações: 818-4365 ou 574-7133 18 de maio, Santos: Mesa-Redonda - Direitos, exclusão e desigualdade |